Por que novas diretrizes eram necessárias?
Embora a educação voltada à diáspora polonesa tenha mais de 200 anos de tradição, até agora faltava um documento único que descrevesse de forma abrangente o que significa ensinar a língua polonesa fora do país.
– Não estava claro em que formatos o idioma era ensinado, quem eram os alunos e professores, nem quais eram as reais condições de funcionamento das escolas polonesas no exterior – explica a diretora.
Segundo ela, o ensino do polonês fora da Polônia não se enquadra nem no modelo clássico de língua materna, nem no de língua estrangeira. Muitas vezes, os estudantes pertencem a gerações posteriores de emigrantes, criadas em outros sistemas linguísticos e culturais, com níveis bastante variados de exposição ao idioma polonês.
Escolas polonesas no exterior: uma realidade diferente
A maioria das escolas da diáspora funciona como instituições comunitárias, geralmente com aulas aos sábados ou algumas horas por semana. A missão dessas escolas vai além do ensino do idioma.
– Trata-se, acima de tudo, de transmitir a identidade, a cultura e os laços com a Polônia – ressalta a diretora.
A grande diversidade de alunos, instituições e condições de ensino tornou necessária a criação de diretrizes curriculares que sirvam como ponto comum de referência para todo o setor.
Recepção muito positiva entre professores
As novas diretrizes foram apresentadas durante uma conferência internacional com a participação de professores da diáspora polonesa de diversas partes do mundo. A recepção foi, segundo a diretora do Instituto, excepcionalmente positiva.
– Os professores sentiram que, finalmente, alguém descreveu a realidade e as necessidades deles – afirma.
Ao mesmo tempo, surgiu rapidamente a expectativa por um próximo passo: materiais didáticos concretos que permitam aplicar as diretrizes no dia a dia da sala de aula.
Materiais modernos em vez de livros impressos
O Instituto já iniciou essa nova etapa. Estão em desenvolvimento as primeiras séries de materiais educacionais:
- nível A1 para jovens e adultos;
- nível A2 para crianças de 10 a 15 anos.
Os conteúdos serão disponibilizados em formato digital, em uma plataforma interativa.
– Não queremos imprimir e enviar livros didáticos pelo mundo. Isso é caro e pouco sustentável. Apostamos em materiais interativos, atraentes para os alunos e que apoiem o trabalho do professor – destaca a diretora.
Polonês como língua de escolha pessoal
Um dos pilares das novas diretrizes é tratar a língua polonesa como uma escolha individual e consciente. Esse conceito também está refletido nos materiais em desenvolvimento.
– Os alunos aprendem a fazer autoavaliação, a refletir sobre o que já aprenderam e o que desejam desenvolver adiante – explica.
Há também forte ênfase no papel dos pais. Onde há envolvimento familiar no processo educacional, as chances de manter o idioma e a identidade polonesa aumentam significativamente.
Sistema integrado e “mapa de materiais”
O Instituto planeja criar um mapa público de materiais didáticos – tanto os produzidos pela própria instituição quanto os já disponíveis no mercado.
– Queremos que o professor possa verificar facilmente quais materiais são adequados para determinado nível e compatíveis com as diretrizes curriculares – anuncia a diretora.
A iniciativa busca reduzir a fragmentação, a aleatoriedade e a necessidade de que os próprios professores produzam seus materiais do zero.
Formação continuada e escola de verão
A qualificação profissional dos professores da diáspora é parte essencial do sistema. Em 2026, o Instituto convidará cem docentes para participar gratuitamente de uma escola de verão na Polônia.
– Queremos ensinar métodos modernos, mas também mostrar a Polônia contemporânea – moderna, segura e aberta – afirma a diretora.
Paralelamente, estão sendo desenvolvidos um programa de mentoria e treinamentos online regulares.
Editais e apoio financeiro
O Instituto também mantém ampla atuação na área de subsídios. Estão em fase de avaliação os pedidos apresentados em editais para:
- financiamento de aluguéis;
- remuneração de professores;
- apoio a organizações guarda-chuva e associações de docentes.
Os resultados do primeiro edital devem ser divulgados por volta de 20 de fevereiro.
Contato direto com a diáspora como chave das mudanças
A dra. Urszula Starakiewicz-Krawczyk destaca a importância das visitas às comunidades polonesas em diferentes países.
– Não atuamos no vazio. Perguntamos aos professores e às escolas do que realmente precisam – enfatiza.
Essas visitas resultaram, entre outras iniciativas, na criação de um novo edital destinado a países onde existe uma minoria polonesa formalmente registrada.
Objetivo de longo prazo: um sistema duradouro
– Queremos deixar como legado um sistema sólido e bem estruturado – resume a diretora.
Um sistema capaz de elevar a qualidade da educação polonesa no exterior, integrar a comunidade docente e garantir que a língua polonesa continue viva além das fronteiras – como língua de cultura, identidade e escolha consciente das próximas gerações.
A entrevista com a dra. Urszula Starakiewicz-Krawczyk foi conduzida pelas jornalistas Halina Ostas e Maria Wieczorkiewicz.
Tradução: dr Fabricio Vicroski